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sábado, fevereiro 16, 2013

Sintomas gripais

Estamos às portas de uma vaga de gripe, pelo que dizem.
Sintomas gripais... algo que se tem ouvido muito ultimamente, como:




Nao perceberam a charada? A Solução está aqui:

e



quarta-feira, maio 23, 2012

Assim Se Faz História


As competições profissionais nacionais findaram e com elas a pequena réstia de sanidade que mantinha todo o povo da bola minimamente controlado.

Agora vem a pré-época e com ela todo um tsunami especulativo que promete gerar expectativas histéricas no já de si mui impressionável adepto. É tempo de dar largas à imaginação, tirar fotografias parvas e imprimir títulos que, por qualquer critério remoto, ficarão para a História.

Com base nas experiências passadas, colocámos à disposição um pequeno inquérito na barra lateral para os nossos apaniguados. A ideia é tentar demonstrar que também conseguimos adivinhar coisas sem termos tantos tentáculos como o simpático polvo Paul. E também utilizar uma ferramenta do Blogger que tem sido marginalizada por nós, à laia de um Cebola qualquer desta vida.

São também experiências de defesos passados que queremos partilhar de forma sucinta convosco.
Em 30 de Junho de 2007, Sreten Sretenovic colocou a fasquia bem alta: iria mostrar valor. E “lá dentro”. Mas onde seria “lá dentro”? Dentro de sua casa? Dentro da sua cabeça? Dentro da loja do Benfica a vender camisolas do Bergessio em promoção? Uma incógnita que ainda hoje não foi resolvida. Estes jornalistas d’”A Bola” foram, aliás, as últimas pessoas deste mundo a ver o Sretenovic por mais de cinco minutos. E, obviamente, Sretenovic, esse motor de sonhos a gasóleo, não poderia mostrar valor em tão pouco tempo. Nem valor nem outra coisa qualquer.
Mais modesto, Valeri assumiu em Julho de 2009 que o máximo que almejava por terras lusas era apanhar uma valente carraspana de caixão à cova. O ar tresloucado que aparenta empresta total credibilidade à sua intenção. Também admitiu que sabia dizer uma palavra concreta em português, mas, lamentavelmente, foi logo uma palavra impronunciável no Dragão nessa temporada. Pedro Emanuel e o sorridente prof. Jesualdo, como tipos porreiros, começaram logo a pagar rodadas à vez e a cantar “e se o Valeri quer ser cá da malta, tem que beber esse copo até ao fim” e blá-blá-blá. A bebedeira foi enorme. Há quem diga que já ninguém sabia distinguir o Valeri do Prediger, tal o encharcanço, mas isso é exagero: ninguém conseguia dizer quem era quem mesmo no estado sóbrio.
Em Maio de 2010, era Paulo Sérgio a prometer que não iria ficar em 2º lugar. Eis, finalmente, uma profecia que se cumpriu: ele ficou em 3º. Quer dizer, ele não, que entretanto foi tourear para outros lados, ainda o 3º lugar era uma miragem, mas a equipa que orientaria durante sensivelmente meia-temporada. Não satisfeito, Paulo Sérgio, com a coragem que o caracteriza, avançou que “não viria para encurtar distâncias” – e, de facto, não encurtou, como atestam os 36 pontos finais de atraso para o campeão. E para completar o ramalhete, na mesma frase põe uma vírgula e ameaça “[venho] disputar o título”. O que também é verdade – eu próprio, em amenas tertúlias, disputo títulos amiúde com os meus confrades, seja do maior devorador oficioso de tremoços, seja da bisca lambida. Ou seja, Paulo Sérgio disputou um título, não de futebol, mas, sei lá, do forcado que percebe mais de bola do concelho de Lisboa ou qualquer coisa do género. Portanto, eis um exemplo de como até capas inicialmente tidas como absurdas poderão vir a concretizar-se. Mesmo na silly season.

segunda-feira, março 26, 2012

Donato Donato, com esse bigode tens olfato?

Pois é. Ultimamente, todos os dias um clube vem reclamar que está a ser prejudicado pelos árbitros.
Bla bla bla.. somos uns perseguidos... ai ai ai ai... isto é tudo uma aldrabice.
E os árbitros nao se podem defender?
Isso é que era... mostrar a casa, o sofá, a televisão, os móveis... e falar tranquilamente.
Pois é, mas se isso acontecesse não estaríamos a modernizar nem a inovar.
Já em 1994 acontecia!
Senao, vejam o vídeo abaixo. Em grande estilo, Donato e o seu bigode fazem frente à sua sala, a sua tv , e mesmo à camisa de Tavares.. tudo muito bem coordenado.
E o Sousa Martins a entrevistar jogadores no túnel à saída do jogo? Hoje em dia é impensável. É tudo organizado e delimitado.
Já nao ha reportagens como antigamente!!
fiquem pois com este pérola.. isto sim sao reportagens.

P.S. O jornalista da TVI desapareceu do mapa.. se calhar é mesmo porque nao tinha grande jeito

domingo, março 04, 2012

Predador Sexual à Solta


Há casos e casos nos clássicos do futebol português, mas poucos terão sido tão escandalosos como o verificado no último SLB-FCP.
Referimo-nos, claro, à abordagem mais que explícita de Janko a Maxi Pereira, sob a anuência de Pedro Proença.
Este sim, um caso a sério. É um caso sério de voragem sexual, de apetites caninos por saciar, de voyeurismo puro. E sim, há ordenados em atraso. Mas não haverá também muito fetiche reprimido nos clubes de futebol? E agora, quem protege as vítimas de assédio sexual, se umas quantas cabeçadas não forem suficientes? Onde estás, sindicato?
Deixemos que as imagens vos ilustrem.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Uma Família Às Esquerdas

Quem visionou o filme “This Is Spinal Tap”, para além de ter ficado inebriado com visuais tão eskilssianescos, não pôde deixar de reparar no pormenor dos bateristas. Os Spinal Tap são uma banda heavy-rock cujo lugar junto à tarola esteve sempre amaldiçoado e largamente exposto ao infortúnio – não há mãos no mundo que sirvam para contar os membros que por lá passaram e a própria banda tem dificuldade em explicar os porquês. Não que os bateristas fossem demasiado maus ou que não se encaixassem no espírito da banda… simplesmente, acontecia sempre qualquer coisa que os afastava. A partir de certo momento, a maior expectativa que um novo baterista poderia legitimamente acalentar seria ficar por lá mais tempo que o anterior baterista. Por apenas horas ou, quem sabe, por uma digressão inteira, no caso dos mais sortudos. Todos estavam conscientes deste desafio hercúleo e nada parecia capaz de mudar o destino.
No nosso mundo da bola e num passado mais recente, apenas um caso encontra paralelo com os bateristas dos Spinal Tap: os laterais-esquerdos do FC Porto. Era vê-los a desembarcar junto ao Dragão aos magotes, como refugiados de guerra prenhes de esperança à procura de um futuro risonho, e era vê-los a definhar com menor ou maior celeridade à deriva num Oceano, abandonados sem perdão e sem uma (Marina) Mota d’água que os pudesse manter à tona, com os seus sonhos despedaçados e a ambição de estrelato apagada sem remissão.
Seria demasiado exaustivo elencar todos os que, desde Nuno Valente até Álvaro Pereira, deram o corpo às balas e se sacrificaram na dura missão de preencher o lado canhoto da defesa azul-e-branca. E porque ir mais atrás e repescar os saudosos Esquerdinha e Vlk tornaria a missão impossível. Por isso, deixámos de lado aqueles que foram inegavelmente bons negócios, como o fugaz e dentariamente debilitado Cissokho, os que foram persistentes, como Marek Cech, os que lá jogaram à falta de melhor, como Fucile, e o Emídio Rafael, que era Emídio e Rafael ao mesmo tempo. E, mesmo assim, ainda sobravam 238 elementos, incluindo aqueles que o Benfica desejou e que entraram, por definição, nas cogitações portistas. Com uns retoques aqui e acolá, resumimos para apenas sete. Sete anões, sete maravilhas; sete, esse número mágico que assentou como uma luva na montagem acima. Mas mesmo sete é uma carga de trabalhos, dá um post demasiado extenso que ninguém vai ler sem ser na diagonal e depois gastam-se pseudo-piadas de forma avulsa, pelo que resolvemos focar-nos em quatro deles. Deixemos o Lino, o Benítez e o Mareque para outras núpcias, pois até já foram aqui alvo de destaque (façam uma busca para comprovar) e terão certamente uma nova oportunidade, algo que já estarão habituados a ouvir.
Casquemos então em Leandro, Rossato, Areias e Ezequias. E o que nos vem imediatamente à cabeça? É isso mesmo, faustosas comissões para os empresários. E potencial cromístico, claro.
Leandro da Silva Wanderley. Nome de craque. Ou de empregado de restaurante de picanha. Escolham. Fez da discrição uma forma de vida. Nem sequer utilizou um apelido ou alcunha – foi apenas Leandro. Na esteira de outros Leandros que passearam pelo Dragão, como Leandro do Bonfim, que não veio de Setúbal, Leandro Lima, o velhinho feito menino, ou Leo Lima, que não era Leandro, mas confundia-se com estes como se fosse um. Ou seja, detinha uma capacidade de entusiasmo muito próxima da nulidade. A sua presença pode ser resumida numa sequência simples: chegou como potencial candidato a titular, fez uns joguitos, sentou-se no banco, sentou-se na bancada, sentou-se no avião e redescobriu a felicidade na sua terra natal. Pragmatismo, como se estivesse a perguntar “quer carne bem-passada ou mal-passada?”.
Rossato. Na verdade, este senhor nem sequer chegou a pisar o relvado com a azul-e-branca vestida. Foi uma coisa estranha: nem chegou a ser aquilo que geralmente não se é para ser durante muito tempo – defesa-esquerdo portista. De tão anónimo e rushfeldtiano, ainda nem sequer tínhamos falado dele por aqui, pelo que a sua presença se impunha: nem que fosse só para contrariar a sua falta de imposição noutros lados. Deu nas vistas naquela colónia brasileira da Choupana, sustentada por um Nuno Carrapato lusitano nas redes, e a sua contratação pareceu ter feito sentido naquele Verão de 2004… até porque, com Areias e Leandro a chegarem na mesma altura, todo o backup nunca seria demais. Mas Rossato entrou em combustão espontânea e… puf, lá se foi a promessa. Uma next big thing que encontrou o sinal de estrada sem saída logo na primeira curva. 
Miguel Alexandre Areias. O terceiro e último capítulo do caos prospectivo da terrível época de 2004/05. Quando se dizia que havia uma grave crise em arranjar defesas-esquerdos portugueses, teimaram em fazer ouvidos de mercador. E apostaram mais umas fichas no Areias. Mas Areias, não sendo um camelo, era perito no bluff. De farta trunfa, Areias era um exercício de estilo a quase 100%, o mesmo estilo que pareceu ser a principal razão da contratação de Mareque – não o Marek (Cech), mas assim mesmo, Mareque, escrito à laia de contrafacção espanhola. A aposta não correu bem, assim como Areias não corria bem, desengonçado do alto do seu metro e noventa. O ambiente no Dragão tornou-se assim demasiado árido à sua volta, aquilo era areia demais para a camioneta do Areias e Miguel Alexandre desceu naturalmente os degraus do aparato mediático para níveis mais consentâneos com os seus pontos fortes: a capacidade inigualável de efectuar lançamentos laterais com a fitinha no cabelo perfeitamente aprumada e a forma emblemática com que olhava à distância para os adversários que se escapuliam nas suas costas.
Para finalizar, o brasileiríssimo Ezequias Roosevelt. Uma pessoa desconfiava logo da sua antroponímia contraditória. Um primeiro nome algo fúnebre (ninguém nos desmente que “Ezequias” não resulta de uma má escrita de “exéquias”, assim como “Maiquel” foi como a senhora brasileira do registo entendeu que se escrevia “Michael”), ao qual se juntava um segundo nome grandioso. Nesta mescla, alguma coisa de útil poderia advir. Mas nem por isso. Algumas épocas no Marítimo e uma temporada na Académica não lhe pareciam vaticinar palcos maiores, mas alguém pensou que sim. Acabara de sair a taluda a Ezequias. E, também, para quem já tinha tido uma paleta tão diversa de tipos para aquele lugar, não fazia mal experimentar mais um. Do género, vem fazer uma demo connosco, vem dar uns concertos, mostra o que vales e logo se vê, na boa e sem compromissos. Até que um dia, “esqueceram-se” de o chamar e percebeu que o seu lugar já estava ocupado. E quem o veio ocupar, na temporada seguinte? Seguramente alguém indiscutível, para variar, reclamava o adepto. Alguém escolhido pelo seu valor, não apenas um fulano indicado para manter uma “política de boa vizinhança” ou para pagar favores a outrem. Alguém a quem possamos apontar o dedo e dizer “sim, sr., temos aqui defesa-esquerdo para uma geração, capaz de meter o Cech no bolso e de não ser o elo mais fraco mais uma vez”.
Esse alguém foi o Lino.
Oh infâmia!
Oh desdita!
Lino?
Seria o regresso sebastiânico do tipo que veio do Chaves do señor Bastón há uns anos?
Como já perceberam, não era. E isso, para desgosto dos adeptos, também não se traduziu em algo necessariamente bom.

sábado, janeiro 28, 2012

Vidas Malvadas


Há quem pense que a vida de um jogador de futebol perde sentido após o final da carreira.
Pois bem, tentaremos ilustrar o contrário: que o verdadeiro sucesso vem com o pendurar das botas. Recorrendo aos casos mais rebuscados, claro, deixando de parte os fenómenos conhecidos de comentadores, treinadores e socialites.

Para começar, temos Krpan. Krpan, quem diria, tornou-se num ídolo da criançada. Volumes e volumes de livros, musicais, desenhos-animados e toda uma vasta parafernália de merchandising invadem os espaços comerciais, onde pirralhos aos berros testam a paciência dos pais, reclamando por um contacto mais próximo com Krpan. Tamanho é o êxito que Krpan seguramente não terá saudades dos seus tempos dentro das quatro linhas (ele e toda a gente).

Podemos também recordar Beke – mas é provável que não consigamos, a menos que nos chamemos Carlos Manuel. O vigoroso central que acrescentou centímetros de forma mais notória às defesas de dois clubes arrastados para a lama das divisões inferiores, o Salgueiros e o Campomaiorense, arranjou o seu caminho como actor de cinema. E logo com um papel de destaque num remake de uma saga famosa série dos anos 80, especialmente concebido para si. Os críticos do “Público” já vergastaram com a sua prosa insensível os méritos desta saga, mas as famílias aderiram em massa. E Beke ganhou um novo fôlego.

Até Djukic, o saudoso Djukic que adornou tardes de intensa canícula no S. Luís sob os protestos e gestos bruscos de Paco Fortes, ganhou destaque junto da imprensa internacional. Finalmente, foi-lhe reconhecida a codícia atacante que sempre demonstrou nos relvados. Ou quase sempre. Algumas vezes, pelo menos. Aliás, todos esses loucos anos 90 do Farense, hoje tão distantes e tão irrepetíveis, mereceram uma análise detalhada que agitou todo o mundo desenvolvido, sempre tão atento a eventuais ameaças de armas de destruição maciça. Como é o caso de Djukic.

Bom, mas o contrário também é verdade: lá por estarem no activo, não quer dizer que a vida de um jogador de futebol seja um mar de rosas. Atente-se nestas duas situações.

Kléber, por exemplo, chegou, viu e desapareceu. Não foi um desaparecer violento como o de Adriano, nem um desaparecimento monetário como o de Falcao, nem tão pouco um não-aparecimento como o de Walter. Foi um eclipse temporário a caminhar para o permanente, uma luz já de si trémula que se esvanece com o som dos assobios, um “não” rotundo às finalizações fáceis. Lá para os lados de Contumil afixaram-se cartazes e organizaram-se grupos de buscas. A esperança é a última a morrer. Mas toda a gente sabe que quanto mais tempo passa, mais forte é a possibilidade de Kléber ser esmagado pela roda de um carro durante a noite. A sério.

E também Yannick Djaló passa por momentos delicados. Seja pelo colossal desafio que será inventar um nome para a sua filha, seja pelo facto do silicone da sua mulher ser PIP, ou, quem sabe?, por não ter clube. Não que antes, quando tinha clube, Yannick já não causasse grandes dores de cabeça aos adeptos e a si mesmo, mas, se calhar, ter clube é uma coisa assim para o importante se estamos a falar de um jogador de futebol. O desespero cresce e já vale tudo para colocar Yannick num grémio qualquer. Até anúncios em páginas improváveis dos jornais. Eu escrevi colocar? Peço desculpa, o verbo é mesmo “impingir”. E o Bojinov que não se meta a pau, não, que nem oferecido como brinde do Happy Meal se safa um dia destes.

Pois é, a vida de futebolista dá muitas voltas e raramente é tão linear como o povo julga.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Ironias do Destino

De vez em quando, rebuscando pelos arquivos, descobrimos quão irónico pode ser o destino. Atentem nesta foto publicada pelo Record online esta semana:
Ignorem o homoerotismo latente nesta imagem em que rapazes em trajos menores exuberam com demasiada proximidade. Estávamos em 2000, o mundo não colapsara, o casamento gay ainda era uma utopia e o FC Porto acabara de vencer a finalíssima da Taça de Portugal ao Sporting. Estes cinco rapazes (ou seis, com aquele tapado pelo Domingos - Alessandro, o cambalhota? - não vem ao caso) festejam a derrota do Sporting… desconhecendo que os seus destinos viriam a estar umbilicalmente ligados ao clube que acabavam de derrotar. Senão vejamos:

- Secretário: bom, na realidade, este não viria a ter relações futuras com o Sporting, para além de algum eventual riso dos seus adeptos pelas suas [inserir adjectivo à escolha] exibições. Mas nesse mesmo ano, Secretário já tinha entregado com os pés e ao cuidado de Acosta o bilhete para o título sportinguista, num episódio já deveras escalpelizado. A gratidão dos sedentos adeptos leoninos para com este [inserir substantivo condizente com o adjectivo introduzido acima] foi imensa. Tal foi a dimensão desta oferta que os médicos designaram o efeito da prenda de Secretário nos adeptos portistas como o “Reflexo de Chainho” – ou uma forte enxaqueca, simultânea a uma enorme incredulidade, traduzindo-se num levar de mãos à cabeça e num sibilino desabafo de “aaiiiiiiiiiiiii, que já fomos!”.

- Jardel: a maior cabeça do futebol indígena – definitivamente, não pela sua dimensão intelectual mas sim pela sua eficácia concretizadora usando a testa – viria, um par de anos depois, a fazer uma temporada brilhante no grémio de Alvalade. Nesse ano, monsieur Bölöni a été très content avec lui et son père, João Pinto, e tudo correu às mil maravilhas sob o signo do guaraná. Sol de pouca dura, porém, porque depois de piscinas e etc. a carreira de Super Mário ficaria como ele próprio nesta foto – de tanga.

- Domingos: a sombra de Jardel, que apenas jogara escassos minutos neste jogo, parecia ser o mais bem-disposto deste grupo, dançando e cantando com uma camisola do Sporting a cobrir-lhe as partes baixas. O Sporting era, aliás, o seu alvo predilecto e aquela camisola parecia uma espécie de troféu de caça. O canto de Alvalade já lhe tinha sido lançado havia pouco tempo, mas Mingos jurava fidelidade azul-e-branca. Pois é, passada cerca de uma década, eis que Mingos vê-se a liderar as hostes verdes-e-brancas e com um cabelo com muito mais estilo.

- Clayton: marcou um golo nesse jogo e estava a viver nos píncaros da sua carreira, depois de ter despontado no Santa Clara – o que, por si só, foi um feito. Depois, viria a ser trocado por esse eterno miúdo que nunca usou Clearasil que era Ricardo Fernandes e partiria de malas e bagagens para o Real Madrid (estou a brincar, era mesmo o Sporting) e aí conheceria os últimos e ténues raios de luz de uma carreira a descair para o ocaso. Há quem diga que se dedicou a fazer de garoto-propaganda da Pizza Hut. Mas deixem lá, que George, o seu sidekick no Santa Clara, após uma carreira nos Açores e nesse colosso venezuelano que é o Carabobo FC, certamente não fez melhor.

- Rubens Júnior – de facto, este não teve nenhuma relação especial com o Sporting. Ainda bem para o clube. Todas as fotografias têm o seu Emplastro e alguém que segura a Taça para que os outros se possam divertir à vontade.

domingo, dezembro 05, 2010

Chamar a Música - a Triquela com Prequelas

O comité de três do vosso blog preferido gosta de falar de música. Sim, nós não somos só bola. Também temos vida fora da blogosfera. Vidas mais ou menos inúteis, com mais ou menos pêlos debaixo do sovaco, com fins de semana de pijama e noites de sexta-feira que acabam com os vossos escribas a chamar o Machairidis.

É a Vida, e nós fazemos parte dela, tanto quanto ela faz parte do Paulo. E esta parece-me uma boa altura para fazer um trocadilho com o nome do Nuno Sociedade, mas não me ocorre nada. Adiante, que estou com fome e não quero deixar o texto a meio. E não me apetece cozinhar. Acho que vou ligar para o Take Away do Zhang Chengdong e pedir Moretto à Pequim (ah, o confortável mundo da piada fácil).

Isto tudo para dizer o quê? Que tal como vocês, também vibrámos com os Ban e chorámos ao som dos Três Tristes Tigres. Também dançámos slows com miúdas cobertas de acne nas festinhas de garagem à pala do Bryan Adams e já imitámos o timbre de voz (?) do Pedro Abrunhosa aos ouvidos de outras quantas. Já mandámos uma ou outra azeiteirola dar uma volta ao bilhar grande quando topámos que ela tinha um relógio dos Excesso. A música faz parte da nossa vida. Quem não se lembra do som que estava a degustar quando D. Russell Nigel Latapy I reconfigurou o tornozelo do Jokanovic ou quando o Toniño marcou o seu primeiro petardo de fora da área para lá do Marão?

Todos nós temos as nossas playlists, as bandas sonoras da nossa vida - que normalmente incluem pop com sintetizadores da década de 80 em doses proeminentes - e este senhor cá em baixo não é excepção:



















Zlatko.

Um homem dividido, um coração rachado a meio pela fria e impiedosa indústria do futebol. As quentes noites de paixão na cidade Invicta foram demasiadas para ele. Uma bela história de luxúria, futebol sensual vestido a lingerie de criatividade e sucesso. Títulos, glória, possivelmente drogas e prostitutas.
Zlatko tinha tudo. Tudo, menos a exclusividade do coração da urbe que o adoptara. O esloveno queria mais. Queria a aliança no dedo, sonhava com juras de amor eterno, mas o coração da cidade que deu o nome a Portugal já tinha dono(s). A Invicta, historicamente fiel aos seus, aberta para quem lhe quer e faz bem, estava comprometida com a testa de Mário Jardel, com o pé esquerdo de Ljubinko Drulovic, o cotovelo direito de Paulinho, os pitons de Jorge Costa e as férreas mãos de Lars Eriksson. Não havia espaço para mais. Num assomo de orgulho, Za exigiu o quebrar de tão intenso laço. Tudo ou nada. Deixando para trás nódoas de champanhe em lençóis de seda azulados, o avançado partiu. Tensão e revolta pairavam no ar como uma brisa de flatulência do Chippo.

Mas Za tinha um plano - a vendetta perfetta: a antiga amante azul e branca, sempre envolvida em paixões arrebatadoras, cedo iria ver o amargo esloveno na cama com a sua maior rival.

E desta feita, houve juras de amor. Za recebeu a chave do castelo, a suite com acesso ao coração da vermelha amante. Foram tempos de longos passeios na praia, chocolate quente à chuva e comédias românticas com o Hugh Grant no sofá da sala.

Finalmente, o amor encontrara Zlatko...mas Zlatko não encontrara o amor. A camisola vermelha fazia-lhe comichão. A glória escapava-lhe por entre os dedos. O sucesso era uma memória distante. Por muito amado que fosse, Za continuava a suspirar pela paixão que deixara a Norte. O champanhe, os hinos de vitória, a intensidade que cobre o violento ardor do afecto carnal ficaram definitivamente para trás - sem que tenha conseguido recuperá-los 300km a Sul.

Banhado a desalento, e perante a visão de uma ex-concubina nos píncaros da paixão Europeia e Mundial, o irascível esloveno decidiu mandar a carreira futebolística às urtigas e cuspir um álbum que sintetizava todos os sentimentos que lhe consumiam a alma e corroíam o espírito.

O resultado foi um dos melhores LP's dos últimos 15 anos:

"Dois Amores, Também eu Tenho" foi a confirmação do potencial baladeiro do Bardo dos Balcãs, com singles clássicos como o envolvente "Eu Fiz Basculação com o Kandaurov", o truculento "Festejei um Golo com o Folha e Não Gostei Particularmente" ou o inesquecível "O Cruzamento Atrasado do Carlos Secretário". Porém, a pièce de résistance será sem dúvida a balada "Quero Cheirar Teu Melão, Calado".

Tudo temas que confirmam Zlatko como ums dos maiores valores da sua geração. Imprevisível, versátil, irascível e temperamental, o Bardo dos Balcãs despeja fel, paixão e memórias várias neste pedaço de vinil...e quem fica a ganhar com isso somos nós.

Post Scriptum Cromatium: Sim, eu sei que estamos no final de 2010, mas tinha esta imagem encostada no meu PC há demasiado tempo. So there.

domingo, setembro 26, 2010

Há jogadores em baixo ... de forma..

E também há clubes em alta e em baixo de forma, como parece estar este ano o Braga.
Domingos deve andar a fazer contas à vida, já que nao estava tão em baixo há mais de um ano.
Noutros tempos, documenta o nosso repórter secreto, estava em baixo e parecia achar piada...
Jorge O Bicho Costa, por outro lado, estava calmo e sereno por cima... com as duas mãos a controlar quem estava por baixo. Deve certamente lembrar-se desta foto quando agora se vê por cima de Domingos no campeonato, algo raro desde que são treinadores. Diria mesmo inédito..
Aloísio, além de estar debaixo de Jorge Costa, ainda tinha que ouvir os gemidos de Domingos! Por isso, tentava tapar a todo o custo os ouvidos.
E assim se treinava nos anos 90..!

sábado, agosto 21, 2010

Estrella Pop

Já sabíamos que André de Villas e Boas era assim um bocado a atirar para o aristocrático. E que aristocracia a sério só mesmo na Velha Albion. Mas só agora descobrimos que o gosto pelo luxo e a tradição o levaram a imitar na perfeição um grande nome da música britânica – sim, esse grande ídolo que é o Rick Astley.
Antes de lhe surgir a primeira borbulha e de descer as escadas para ver se o Bobby Robson tinha Clearasil (aquilo dos relatórios era apenas para meter conversa), o menino Villas Boas, com dez cândidos aninhos, dedicou-se de corpo e alma a cantar em frente ao espelho o “Never Gonna Give You Up”, movendo as suas ancas como se estivesse a fugir a sete pés do Sporting, forçando a voz impúbere a atingir níveis de inusitada gravidade para a sua idade e, claro, espetando o seu cabelo para ficar com aquela popa ruiva tão característica. Por exemplo, utilizando um gel Shockwaves, colheita de 1987 (ou seja, uma espécie de cola misturada com cimento com textura semelhante à do azeite), ou esticando a cabeça de fora em viagens a mais de 100 km/h na auto-estrada, qual canídeo, para que o cabelo ficasse tipo serapilheira eriçada. Os resultados foram avassaladores, como se pode constatar.
Para todos aqueles que julgam que o discurso do menino Villas Boas é mera petulância, dêem-lhe um desconto: o puto ainda julga que é mesmo uma estrela pop.

quinta-feira, julho 22, 2010

Fatih, a bola e cotão de umbigo.

Hoje temos a enorme satisfação de poder deliciar-vos com uma iguaria do mais alto calibre: uma opípara cromo-entrevista com o incompreendido bad-boy do futebol turco-neerlandês, Fatih Sonkaya.

CDB : Fatih, boa tarde. Antes de mais, deixe-nos congratulá-lo pela inequívoca demonstração de inépcia que desenhou na relva lusitana ao cabo de três longos anos.

FS : Ora essa. Só tenho pena que nunca me tenham visto de bigode. Curiosamente, a fase em que o deixei crescer coincidiu com a altura em que deixei de ser convocado no FCP. Ou seja, passado o primeiro mês da época de estreia.

CDB : Quando toparam que afinal o Fatih não valia puto…

FS : Sim, provavelmente. E ainda demoraram umas semanas para chegar a essa conclusão. Pobres diabos.

CDB : Ainda assim, sagrou-se Campeão Nacional…

FS : É verdade, e também contraí gonorreia. Passei bons tempos aí em Portugal.

CDB : Mas certamente não estaria à espera de realizar tão poucos jogos, tanto no Porto, como em Coimbra.

FS : É a vida. Também não estava à espera que ao aceitar um copo duma miúda na noite, fosse mais tarde acordar numa banheira, coberto de gelo. Mas acordei.

CDB : Roubaram-lhe um rim ?!? Isso explica a falta de exuberância física no tapete verde…

FS: Não, não…O rim ficou cá dentro. Pelos vistos a miúda só queria um autógrafo e violar-me. Ela pensava que eu era uma estrela de Bollywood. Quando pegou no B.I. e viu que eu era o Fatih Sonkaya, enfiou-me numa banheira e foi-se embora. Nem quis o meu rim. Nem sequer violar-me. (suspiro)

CDB : Vejo que o Fatih não teve uma vida fácil em Portugal, ao contrário dos seus adversários directos.

FS : O que quer insinuar com isso?

CDB : Bem, o anafado amigo tem a noção que desde o momento da sua contratação (2005) que o Estado Português tem uma comissão de inquérito a trabalhar 24/7 para descortinar alguma característica que possa ter levado o FC Porto a considerá-lo um jogador de futebol. Aliás, um jogador de futebol passível de ser contratado por um clube profissional.

FS : Bem sei, e também estou a par que os gajos ganham cerca de 5 milenas/mês, e têm a reforma garantida por inteiro ao cabo de 2 anos de casa. Mais apartamento na baixa, carro e gasolina à pala até 2033. Comissões de inquérito rulam. A mim não me escapa nada.

CDB : A bola costumava escapar. E o adversário também.

FS: Sim, nunca fui grande coisa a jogar futebol. Mas a coleccionar cotão de umbigo? Oh meu amigo, aí ninguém pára o Sonkaya allez oh.

CDB : Cotão de umbigo?

FS : Sim. Sou muito bom nisso. Cheguei a ser federado quando era petiz, na Holanda. Mas os meus Pais nunca me apoiaram. “Ah, devias era seguir uma carreira na bola, tens nome de jogador, dois pulmões e um centro de gravidade estável…"
Sempre achei essa conversa uma grande treta, mas enfim. Era isso, ou voltar a vender pêlo do sovaco para fazer perucas…e a família precisava do graveto.

CDB: Mas então deixou de coleccionar cotão no umbigo?

FS: Não, não…sempre desenvolvi essa capacidade como um hobby, ou uma actividade paralela, se quiser. Mas é difícil de conciliar com o futebol. Se corremos muito, suamos, e o cotão vai por ali abaixo na enxurrada. É difícil atingir um nível de estabilidade de cotão que nos permita armazenar uma quantidade apreciável.
Por esse motivo costumava guardar o cotão numa caixinha no balneário…e depois dos jogos voltava a colocá-lo no sítio: no meu umbigo quentinho.















CDB :
Ah, então ao contrário do que demonstrava na lateral-direita, o Sonkaya é um homem de muitos recursos.

FS: Bem, na teoria sim. Na prática, esta ideia não resultou por aí além, já que o Marek Cech ia amiúde ao meu cacifo e comia o cotão quando eu estava nos treinos.

CDB:
Está a afirmar que o Cech comia o seu cotão de umbigo??

FS : Sim, isso e ameijoas. O gajo gostava de ameijoas.

CDB : Hm. Ficou orgulhoso por ter deixado escola em Portugal ? Pouco tempo após a sua saída, o FC Porto acabou por contratar outro lateral com as suas características: Nélson Benítez.

FS : Sim, é verdade. Vieram-me as lágrimas aos olhos. O homem era em tudo idêntico a mim, mas jogava na esquerda. Era como ver-me ao espelho:
O Nélson não tinha pés, tinha tijolos octogonais ligados aos tornozelos.
O Nélson não tinha físico de jogador profissional, parecia um miúdo de 14 anos com atrofia muscular e herpes facial.
O Nélson era mau cabeceador, defendia mal, atacava ainda pior e tinha a velocidade de um caracol coxo – e morto.
A pedra de toque foi quando o vi tirar um cruzamento pela primeira vez : era capaz de jurar que Maomé carpiu lágrimas de sangue e matou quinhentas virgens mal a bola lhe saiu do pé. Foi um momento horrífico. Mas gratificante.

Nesse preciso momento soube que o meu legado estava em boas mãos.

CDB/FB: (abraço fraterno, acompanhado de sentido choro de homem)

segunda-feira, junho 28, 2010

Quintana e mais dez

"Estávamos à espera que fosse o Quintana e mais dez, mas ele não correspondeu às expectativas."

Este poderia ser o epitáfio de uma carreira, cravado por um impiedoso cinzel na face de um triste e cinzento mausoléu futebolístico. Na verdade, até foi - porém metafóricamente.
As palavras proferidas pelo então líder do Moreirense, Vítor Magalhães, embora comuns no contexto-cautchú, revelaram-se como uma perfeita resenha da carreira do paraguaio em Portugal. Aliás, se a vida do Victor desse um livro, seria daqueles resumos amarelos que o pessoal usava no secundário para não ter que passar pela tormenta de ler os Maias ou os Lusíadas por inteiro. Aqueles que tinham apenas meia dúzia de páginas com um par de tópicos.
Estimo desassombradamente que o livrito do Quintana teria uma solitária página apenas, com a deprimente frase do Magalhães pintada a tons dourados.
Abrir aspas, introduzir epitáfio, fechar aspas.
E assim se enterra uma carreira outrora promissora.

Porém, a demanda do Victor por solo Europeu não começou pelo dantesco vilarejo de Moreira de Cónegos, onde quer que isso seja.
Ao invés, o combativo jugador aterrou no Sá Carneiro para representar um clube na ressaca de um histórico pentacampeonato e na antecâmara de uma não-menos-histórica conquista Europeia. Infelizmente para o paraguaio - e felizmente para o referido clube - a sua época de estreia acertou precisamente entre ambas as efemérides. Basicamente, o que o Quintana fez, foi o equivalente a ir aos vestiários de um concurso Miss Mundo, encontrar 110 modelos bêbedas e/ou drogadas, e só conseguir sair de lá de braço dado com um travesti anão e cego de um olho. Tough luck.
Na verdade, o próprio Victor era a versão futeboleira de um travesti anão e cego de um olho. No mínimo, era cego de ambos os pés e liliputiano em talento, mas a parte do travesti ainda está por ser provada, apesar daquele sexy sinal carnudo ligeiramente acima do lábio superior. Como uma ex-modelo: Cindy Crawford, nem mais.

Da passerelle ao relvado, relativamente às façanhas do jogador cuja alcunha ("O Animal") o descrevia na perfeição, não há muito a dizer. Caberiam na parte de trás de uma carteirinha de fósforos, juntamente com o total de golos que o Pavlin apontou com a camisola azul-e-branca e com os números de telemóvel das miúdas que o Esquerdinha sacava no Tomate e no Via Rápida às quintas-feiras à noite.

Mas lá que o gajo puxava dumas melodias suculentas com a sua big trombone band, lá isso puxava.

sábado, maio 22, 2010

Les Misérables

França. Esse país exótico, tão afamado pelas baguettes, vinho, queijo e por mulheres que não conhecem os prazeres da depilação. Em termos futebolísticos, a relação exportadora com Portugal nunca foi a melhor. Senão vejamos.
Napoleão esteve por cá durante o século XIX e não guardou grandes recordações. Passaram-se longos anos sem episódios dignos de registo, até que, no Verão de 1990, voilá!, aterra no nosso país a grande promessa Stéphane Paille. No Porto, arrebitaram-se as sobrancelhas, o povo soltava oh-la-la’s de espanto, estava ali o melhor jogador do campeonato francês de 1989. Vlk, outra contratação desse ano que em condições normais mereceria todas as atenções pela sua estranha conjugação de consoantes, foi relegado para segundo plano: os olhos estavam todos em cima do bom do Paille. Mas assim que a bola começou a rolar, uma aura de desilusão assombrou o anfiteatro das Antas. Longe dos Campos Elísios, Paille não conseguia desenvolver todo o seu propalado potencial. Kostadinov exasperava perante mais um pontapé de Paille na atmosfera, questionando “Então, Stéphane? Que m***a foi essa, pá?”, num português tão explícito que toda a bancada percebeu que teria de ser Domingos a ter Paciência para aturar o génio difícil do búlgaro. Paille, apesar de francês, não se deu bem na terra das francesinhas. O treinador disse-lhe “je suis très désolé” e Paille esforçou-se por não contrariá-lo, nem sequer indo para o banco em algumas ocasiões. Passado um ano era devolvido à precedência e o FCP ainda não recuperou totalmente desse enorme trauma: só no novo século voltou a contratar um francês, o pouco ortodôntico Cissokho, e mesmo esse não se aguentou lá por muito tempo.
Mais a sul, também se quis descobrir o perfume gaulês nos anos 90. Mas os resultados não foram mais animadores. Foi uma época de revoluções, aquela que o Rei Artur, também ele um francófono, quis implementar no SLB em 1994. Já havia Nelo e Tavares com o papel da artilharia pesada no meio-campo, então faltava só alguém para acender o rastilho. E esse alguém era Jean-Jacques Eydelie, a quem Rei Artur, lânguido, soltou por entre o seu robusto bigode: “Voulez-vous jouer avec moi… ce soir?”. Eydelie, um exilado da estirpe de Bonaparte, era um cintilante mago da bola cujas trapaças da vida o enredaram para fora do seu país Natal. Regressou da sua ilha de Elba, enamorou-se pelo SLB como Tomasson e vestiu a camisola como Rushfeldt. Serviu-lhe e ele ficou. Porém, nas contas finais, nem um minuto para amostra. Jogou menos que Andrés Diaz. Repito: jogou menos que Andrés Diaz. Pronto, jogou tanto como Simanic. Ou como Abazaj. Mas isso nunca pode ser um bom termo de comparação. O fantasmagórico Eydelie rumou em busca do seu Waterloo mal a época findou, como parecia evidente. Só mais tarde revelaria que a sua permanente ausência dos relvados lusos fazia parte de uma promessa pessoal, consubstanciada num livro com um título deveras sugestivo. É pena, Eydelie tinha um cabelo muito frondoso e daria um excelente cromo, mas nem sequer apareceu para figurar nas nossas colecções. Fica aqui a nossa lembrança, ó Jean-Jacques.
Mais ao lado, demorou só um pouco mais para chegar o primeiro exemplar francês. Nome de guerra: Didier Lang. Não, não era tão langão como o Pedro Barbosa. Mas também ficámos sem saber bem como seria ao certo. O tipo tinha um certo aspecto francês, lá isso é verdade. Tinha cara de ter uns pais que possuíram orgulhosamente um Citroën boca-de-sapo e que ficava até tarde a ver repetições do Hinault na Volta a França. E até podia ser jogador de futebol, mas isso até o Vidigal era e não vinha de França. Concretamente, Lang foi o Ivo Damas antes do próprio Ivo Damas: tinha deslumbrado, no que provavelmente fora a noite da sua vida, num jogo em que o semi-anónimo Metz, ainda menos cotado que o Martini com o mesmo nome, despachara o SCP da UEFA. E como recompensa veio cá passar um ano tranquilo. O Damas só viria mais tarde no desenrolar da época e, como é óbvio, Lang perdeu o seu espaço. Lang conheceu Bruno Giménez e César Ramirez, trocou contactos de telefone com Saber, contou uma anedota ao Leão que este não percebeu e pisou uma vez um presente canino à entrada da porta 10-A, por estar distraído a ouvir Edith Piaf no seu walkman. E é tudo que se sabe. Tal era o estado do SCP nesse ano que até jogou bem mais do que o bom senso recomendaria.
Depois destes pioneiros, a torneira francesa começou a abrir-se mais um pouco. Com especial incidência para os gardiens de but: o eterno Palatsi, Yannick (que não Djaló), Debenest, Quievreux e Peiser. E tipos de sucesso, como o estóico Quevedo, senhor do lado esquerdo da defensiva, o típico nº5 que acabou por merecer um perfume com o seu nome, como pode ser visto acima. E tipos esquisitos, como Dyduch e Rabarivony. E tipos que eram humanos, sim senhor, como Agasson e Paviot. E Tixier, Desmarets e Kelly Berville. E o afrancesado dos Santos e o multimilionário Laurent Robert. E o acidentado Sinama-Pongolle, a escrever história neste momento. E aquele que merece toda a nossa simpatia, que é o Godemèche. Je vous aime et moi non plus. Merci beaucoup.

domingo, maio 09, 2010

Um Secretário de Sonho

A secretária. Essa peça vital ao funcionamento de um escritório, uma mulher por vezes lasciva, emprenhadora de fantasias proibidas, aquela que se dobra com a camisa desabotoada sobre o monitor e se agacha para apanhar o agrafador caído com uma torção libidinosa, destacando todo o comprimento das suas longilíneas pernas revestidas com uma suave liga negra, tirando o público masculino do sério.

Este é o lado feminino. E o lado masculino?

Pois, o Secretário. Essa peça incompreendida de vários onzes, um defesa por vezes letal, especialmente para a sua própria equipa, aquele que acertou melhor com urina na cabeça do Nuno Luz do que nos cruzamentos para a área e que abria tanto o seu corredor como as bocas dos adeptos, tamanha a incredulidade. Perscrutando o seu currículo, também se pode dizer que Secretário tirou muita gente do sério: uma transferência para o Real Madrid (algo que levou os adeptos madridistas ao desespero e Beto à mais roída inveja), uma assistência para Acosta (que fez Chainho arrancar os cabelos que não tinha) e uma conversa mais que sensual com a Paula (que nunca deve ter recebido o que lhe era devido).

Secretária vs Secretário. Como seria a conjugação possível destes dois mundos? Eis uma hipótese visual:

quarta-feira, maio 05, 2010

Beto, Beto, Beto

O pessoal que não é de Lisboa diz que o pessoal de Lisboa é beto.
O pessoal de Lisboa corrige e diz que só o pessoal da linha de Cascais é que é beto.
O pessoal de Cascais, por seu turno, não tem outra opção senão sentir-se confortável com o seu modus vivendi ou então desabafar as maiores alarvidades ao volante do seu automóvel de elevada cilindrada enquanto está encalhado em mais engarrafamento na A5.

O nosso ponto: Betos há muitos. Com idiossincrasias muito acentuadas, como exemplificaremos.
Este Beto é do mais pungente que pode haver. Afinal, jogou num clube de betos. Foi o capitão deles, o mais beto dos betos. Teve cabelo de beto. Tem cara de beto, e logo daqueles que dá na ganza. Aposto que já usou sapatos de vela, pólos Burberry e camisas Sacoor Brothers, daquelas azuis com o rato nas costas e colarinhos brancos. Deve tratar os sobrinhos por você. Quase de certeza que organizou um jantar de beneficência ao Krpan porque pensava que ele seria um sem-abrigo. Joga, ou vai jogando, no clube que está ali entre as vivendas do Restelo e o concelho de Oeiras – portanto, clube geograficamente mais próximo do burgo central da betalhada só mesmo o Estoril (com jeitinho, ainda lá vai parar). Casou com uma mulher tão saliente quanto impregnada de silicone.
E porquê? Porque jogava bem à bola? Talvez. Por ser beto? Quiçá. Por ser o Beto? Ora aí está: a ambição de qualquer mulher com visão de futuro é contrair matrimónio com um futuro Real Madrid. Infelizmente, há especulações que nunca se concretizam materialmente. E então lá se vai o matrimónio e lá vêm as festas em catadupa.
O pesadelo do beto é ser forçado a andar de transporte público, juntamente com a gente das obras; o pesadelo deste Beto, porém, foi um camião chamado Custódio e um polícia chamado Paulo Bento. E aí a sua betice começou a ser posta em causa. Para nunca mais recuperar.
Num plano intermédio, temos este Beto. Que também começou no mesmo clube associado à betice. E não é só por causa disso que o seu nome artístico não é Pimparel. É que Pimparel ultrapassa o limite do razoável, reconheçamos. É um nome que faz o Pittbull parecer ter um nome de pessoa inteligente.
Este Beto, em rigor, não era muito beto. Era um gajo vaidoso, quanto muito, mas nunca deve ter tido um free-pass para entrar Kapital. Depois enrijeceu a barba junto dos pescadores de Leixões. Tanto voou, tanto espalhafato deu, que foi parar ao clube dos que se dizem anti-betos por excelência – aqueles que dizem que comem três sopas de cavalo cansado ao pequeno-almoço, mais uma frutinha e um telefonema a um agente desportivo na penumbra para ganhar jogos que não interessam para nada.
Lógico era que mudasse de nome. Se "beto" está demasiado colado a Lisboa, "bimbo" está colado ao Porto. Ora aí está, vamos chamar-te Bimbo e fazer-te um novo baptizado para este teu renascimento competitivo. Porque Pimparel, mesmo que fosse válido por estar no BI, estava completamente fora de hipótese. Mas por causa de direitos de marca e pressão da Panrico, Bimbo também foi uma hipótese que não saiu do papel. Envolvido nestas improfícuas discussões filosóficas, Beto deu um excelente aquecedor de banco, sendo inclusivamente seleccionado por causa desse mérito indiscutível das suas nádegas. E mesmo em certas ocasiões, quando se previa que saltasse do banco, deu-se primazia às luvas do Espírito Santo, enregeladas e extremamente sebosas, até na tepidez algarvia.
No fundo desta dinastia de betos, temos o não-beto. Um Beto acidental. Quer dizer, olhamos para a figura deste médio e para os clubes onde passou e dizemos logo que quem lhe deu a alcunha não estava a ver bem o filme. Até porque possuía Galdino no nome. Isto é a antítese do beto, o que o yin está para o yang.
Os verdadeiros betos nunca lhe perdoaram esta usurpação do nome. Se este Beto por acaso entrasse com um chapéu de viking numa praça de touros, o local para onde confluem imensas manadas de betos aos urros de “eh!, touro!”, todos iriam repugnar-se de tal forma (“Meu Deus, que horror! Aquilo tem mesmo ar de pobre!”) que ainda iriam pensar que estava ali um touro bípede.
Um bom livre no Paços, um bom golo no Beira-Mar e pronto, uma inesperada passagem para o clube com maior percentagem de adeptos desdentados de Lisboa. Sim, Lisboa é paradoxal: mesmo em frente a um dos grandes centros de opulência encontra-se o grande santuário da xungaria. E apesar do seu peculiar aspecto, chamava-se Beto e um beto no meio dos taxistas e dos garrafões não podia acabar bem.
As contradições não cessavam. Um futebol bruto digno de Fernando Aguiar mas com uma suave oxigenação capilar digna de Ruth Marlene. Um portentoso engano contra o Manchester United e sucessivas confirmações de desastre contra as equipas do campeonato português. Os adeptos estavam confusos.
Solução: apagá-lo rapidamente da nossa memória, lavar o nosso cérebro para acreditar que ele nunca aqui esteve. Este Beto, hoje em dia, é já um X-File classificado e nem o Mulder parece muito convicto da sua existência.
Agora está na Grécia. A Grécia em crise profunda, onde apenas o engenheiro do penta prospera. Esperamos que se esteja a dar bem. Porque ele, lá no fundo, merece ser feliz como os verdadeiros betos que têm as fortunas da família a sustentá-los.

O pessoal depois vinga-se nos comentários. “Eh pá, ó Rodrigues, eu até gosto da vossa SAD, mas de vez em quando vocês são um bocado parvos”. “Eh pá, ó Rodrigues, e para quando um post sobre o Paulo Vida? “Eh pá, ó Rodrigues, isso é só má fé, não tens tomates para dizer o que escreves à frente dos gajos”. Por falar em tomates:

domingo, abril 04, 2010

FC Porto 8 - Valonguense 0

1997-1998.
Estádio das Antas
Valonguense...
acho que vão perceber porque razão figuram neste blog os jogadores do Valonguense. Chamo a especial atenção para o GR suplente, ERNESTO. ERNESTO.
A voz inconfundível de Costa Monteiro é também uma relíquia assinalável.

segunda-feira, março 08, 2010

O Pequeno Quim

A rede balançava, ele dançava, o público jubilava, e Deus – algures – exultava.

Vivaça era a vida do Pequeno Quim, grande no porte, insurrecto petiz de alma, sangue ardente no esculpido corpo, seu instrumento de trabalho. O Pequeno Quim era assim: exuberante como uma multicolorida borboleta, crisálida de eleição, e potente como um furioso touro, acicatado pelo vermelho-chama do fogo que lhe alimentava o Ser: o golo.

Incompreendido pelo estimado mentor (“one touch, two touch, quimmzin-ho goal”), o flamejante aríete do continente negro procurava refúgio nas bancadas, onde era amado como nenhum outro, em pleno auge feudal de D.Mário Jardel, o Primeiro. O Mantorras antes do Mantorras, este sim, a alegria do Povo, com dois joelhos e tudo – pois sem eles não conseguiria bailar Kuduro. Endiabrado, o Pequeno Quim.

Futebol-esquadro? Coisa para operários com bota quadrada, mais Alfaias que Nandos, menos Constantinos que Caos. Geometria sempre foi coisa para maricas. Futebol é Paixão, Calcio não é Catenaccio e Prof. Neca não é senão um calvo Darth Vader, enviado da Estrela da Morte para nos sugar o prazer da sumarenta clementina do beautiful game. O Pequeno Quim não nascera para traçar rectas a esquadro – o Pequeno Quim era o anti-Custódio, antes gingar que quebrar, nascera para emocionar, negra pantera de tardes gloriosas com o azul Dragão ao peito.

Porém, sempre apaixonado pela polémica, o Bigode de António Oliveira decidiu não ouvir os apelos da bancada. A central pedia Quim, a superior pedia Quim, até o tribunal por Quim clamava. Mas a única emoção a Quim ofertada, foi a da despedida. Uma dura, amarga despedida.

Já que o Pequeno Quim se assemelhava a uma locomotiva desgovernada nos trilhos do tapete verde, lá decidiu fazer da fama proveito e transformar a sua carreira numa espécie de percurso de Intercidades que pára em tudo o que é apeadeiro sem pedir licença.

Assim, fica a recordação da trajectória CP-style, com atrasos, croquetes a bordo, crianças a chorar, e claro – golos a brotar do ar condicionado desta carruagem em alta rotação: Leiria, Vila do Conde, Faro, Vila das Aves, Alverca e Estoril. All aboard, the Quim Train.

Sob a asa de um génio indomável, a locomotiva atravessou Oceanos, atropelando Peixes e engolindo Figos, chegando assim à China, continente sem Brunos ou Coentrões de cabelo pejado de parafina.

Qiao Ji Ma, nova identidade do petiz vagão ferroviário, corcel indomável no continente amarelo de carroça puxada a arroz. “What’s in a name? A rose by any other name would smell as sweet”, já dizia Mark Pembridge. Qiao Ji Ma concordava, acenando afirmativamente com o seu potente crânio. O título pode ser outro, mas o texto conhecia semelhante epílogo: golo, golo e mais golo. Ou Kwame Ayew – é assim que se diz golo em chinês…ou pelo menos foi o que o Duah nos contou.

De qualquer forma, após menear as ancas pelas bandeirolas de canto um pouco por toda a Ásia, Qiao Ji Mu decidiu regressar ao País que o viu nascer – o País que deu nome a Zé D’Angola, curiosamente um orgulhoso cabo-verdiano. Ou se calhar não será assim tão orgulhoso, mas cabo-verdiano é de certeza. E o Pequeno Quim - esse - é de novo Pequeno Quim: irreverente, poderoso, calvo, e apostado em tratar a bandeirola de canto como Axl Rose tratava um microfone, pois com Pequeno Quim, o rock n roll nunca morrerá.

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