Sintomas gripais... algo que se tem ouvido muito ultimamente, como:
sábado, fevereiro 16, 2013
Sintomas gripais
Sintomas gripais... algo que se tem ouvido muito ultimamente, como:
quarta-feira, maio 23, 2012
Assim Se Faz História
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segunda-feira, março 26, 2012
Donato Donato, com esse bigode tens olfato?
Bla bla bla.. somos uns perseguidos... ai ai ai ai... isto é tudo uma aldrabice.
E os árbitros nao se podem defender?
Isso é que era... mostrar a casa, o sofá, a televisão, os móveis... e falar tranquilamente.
Pois é, mas se isso acontecesse não estaríamos a modernizar nem a inovar.
Já em 1994 acontecia!
Senao, vejam o vídeo abaixo. Em grande estilo, Donato e o seu bigode fazem frente à sua sala, a sua tv , e mesmo à camisa de Tavares.. tudo muito bem coordenado.
E o Sousa Martins a entrevistar jogadores no túnel à saída do jogo? Hoje em dia é impensável. É tudo organizado e delimitado.
Já nao ha reportagens como antigamente!!
fiquem pois com este pérola.. isto sim sao reportagens.
P.S. O jornalista da TVI desapareceu do mapa.. se calhar é mesmo porque nao tinha grande jeito
domingo, março 04, 2012
Predador Sexual à Solta
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
Uma Família Às Esquerdas
sábado, janeiro 28, 2012
Vidas Malvadas
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sexta-feira, novembro 18, 2011
Ironias do Destino
domingo, março 13, 2011
Qualquer Dia Será Assim
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domingo, dezembro 05, 2010
Chamar a Música - a Triquela com Prequelas
É a Vida, e nós fazemos parte dela, tanto quanto ela faz parte do Paulo. E esta parece-me uma boa altura para fazer um trocadilho com o nome do Nuno Sociedade, mas não me ocorre nada. Adiante, que estou com fome e não quero deixar o texto a meio. E não me apetece cozinhar. Acho que vou ligar para o Take Away do Zhang Chengdong e pedir Moretto à Pequim (ah, o confortável mundo da piada fácil).
Isto tudo para dizer o quê? Que tal como vocês, também vibrámos com os Ban e chorámos ao som dos Três Tristes Tigres. Também dançámos slows com miúdas cobertas de acne nas festinhas de garagem à pala do Bryan Adams e já imitámos o timbre de voz (?) do Pedro Abrunhosa aos ouvidos de outras quantas. Já mandámos uma ou outra azeiteirola dar uma volta ao bilhar grande quando topámos que ela tinha um relógio dos Excesso. A música faz parte da nossa vida. Quem não se lembra do som que estava a degustar quando D. Russell Nigel Latapy I reconfigurou o tornozelo do Jokanovic ou quando o Toniño marcou o seu primeiro petardo de fora da área para lá do Marão?
Todos nós temos as nossas playlists, as bandas sonoras da nossa vida - que normalmente incluem pop com sintetizadores da década de 80 em doses proeminentes - e este senhor cá em baixo não é excepção:

Zlatko.
Um homem dividido, um coração rachado a meio pela fria e impiedosa indústria do futebol. As quentes noites de paixão na cidade Invicta foram demasiadas para ele. Uma bela história de luxúria, futebol sensual vestido a lingerie de criatividade e sucesso. Títulos, glória, possivelmente drogas e prostitutas.
Zlatko tinha tudo. Tudo, menos a exclusividade do coração da urbe que o adoptara. O esloveno queria mais. Queria a aliança no dedo, sonhava com juras de amor eterno, mas o coração da cidade que deu o nome a Portugal já tinha dono(s). A Invicta, historicamente fiel aos seus, aberta para quem lhe quer e faz bem, estava comprometida com a testa de Mário Jardel, com o pé esquerdo de Ljubinko Drulovic, o cotovelo direito de Paulinho, os pitons de Jorge Costa e as férreas mãos de Lars Eriksson. Não havia espaço para mais. Num assomo de orgulho, Za exigiu o quebrar de tão intenso laço. Tudo ou nada. Deixando para trás nódoas de champanhe em lençóis de seda azulados, o avançado partiu. Tensão e revolta pairavam no ar como uma brisa de flatulência do Chippo.
Mas Za tinha um plano - a vendetta perfetta: a antiga amante azul e branca, sempre envolvida em paixões arrebatadoras, cedo iria ver o amargo esloveno na cama com a sua maior rival.
E desta feita, houve juras de amor. Za recebeu a chave do castelo, a suite com acesso ao coração da vermelha amante. Foram tempos de longos passeios na praia, chocolate quente à chuva e comédias românticas com o Hugh Grant no sofá da sala.
Finalmente, o amor encontrara Zlatko...mas Zlatko não encontrara o amor. A camisola vermelha fazia-lhe comichão. A glória escapava-lhe por entre os dedos. O sucesso era uma memória distante. Por muito amado que fosse, Za continuava a suspirar pela paixão que deixara a Norte. O champanhe, os hinos de vitória, a intensidade que cobre o violento ardor do afecto carnal ficaram definitivamente para trás - sem que tenha conseguido recuperá-los 300km a Sul.
Banhado a desalento, e perante a visão de uma ex-concubina nos píncaros da paixão Europeia e Mundial, o irascível esloveno decidiu mandar a carreira futebolística às urtigas e cuspir um álbum que sintetizava todos os sentimentos que lhe consumiam a alma e corroíam o espírito.
O resultado foi um dos melhores LP's dos últimos 15 anos:
"Dois Amores, Também eu Tenho" foi a confirmação do potencial baladeiro do Bardo dos Balcãs, com singles clássicos como o envolvente "Eu Fiz Basculação com o Kandaurov", o truculento "Festejei um Golo com o Folha e Não Gostei Particularmente" ou o inesquecível "O Cruzamento Atrasado do Carlos Secretário". Porém, a pièce de résistance será sem dúvida a balada "Quero Cheirar Teu Melão, Calado".
Tudo temas que confirmam Zlatko como ums dos maiores valores da sua geração. Imprevisível, versátil, irascível e temperamental, o Bardo dos Balcãs despeja fel, paixão e memórias várias neste pedaço de vinil...e quem fica a ganhar com isso somos nós.
Post Scriptum Cromatium: Sim, eu sei que estamos no final de 2010, mas tinha esta imagem encostada no meu PC há demasiado tempo. So there.
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domingo, setembro 26, 2010
Há jogadores em baixo ... de forma..
Domingos deve andar a fazer contas à vida, já que nao estava tão em baixo há mais de um ano.
Noutros tempos, documenta o nosso repórter secreto, estava em baixo e parecia achar piada...
Jorge O Bicho Costa, por outro lado, estava calmo e sereno por cima... com as duas mãos a controlar quem estava por baixo. Deve certamente lembrar-se desta foto quando agora se vê por cima de Domingos no campeonato, algo raro desde que são treinadores. Diria mesmo inédito..
Aloísio, além de estar debaixo de Jorge Costa, ainda tinha que ouvir os gemidos de Domingos! Por isso, tentava tapar a todo o custo os ouvidos.
E assim se treinava nos anos 90..!
sábado, agosto 21, 2010
Estrella Pop
Antes de lhe surgir a primeira borbulha e de descer as escadas para ver se o Bobby Robson tinha Clearasil (aquilo dos relatórios era apenas para meter conversa), o menino Villas Boas, com dez cândidos aninhos, dedicou-se de corpo e alma a cantar em frente ao espelho o “Never Gonna Give You Up”, movendo as suas ancas como se estivesse a fugir a sete pés do Sporting, forçando a voz impúbere a atingir níveis de inusitada gravidade para a sua idade e, claro, espetando o seu cabelo para ficar com aquela popa ruiva tão característica. Por exemplo, utilizando um gel Shockwaves, colheita de 1987 (ou seja, uma espécie de cola misturada com cimento com textura semelhante à do azeite), ou esticando a cabeça de fora em viagens a mais de 100 km/h na auto-estrada, qual canídeo, para que o cabelo ficasse tipo serapilheira eriçada. Os resultados foram avassaladores, como se pode constatar.
Para todos aqueles que julgam que o discurso do menino Villas Boas é mera petulância, dêem-lhe um desconto: o puto ainda julga que é mesmo uma estrela pop.
quinta-feira, julho 22, 2010
Fatih, a bola e cotão de umbigo.
CDB : Fatih, boa tarde. Antes de mais, deixe-nos congratulá-lo pela inequívoca demonstração de inépcia que desenhou na relva lusitana ao cabo de três longos anos.FS : Ora essa. Só tenho pena que nunca me tenham visto de bigode. Curiosamente, a fase em que o deixei crescer coincidiu com a altura em que deixei de ser convocado no FCP. Ou seja, passado o primeiro mês da época de estreia.
CDB : Quando toparam que afinal o Fatih não valia puto…
FS : Sim, provavelmente. E ainda demoraram umas semanas para chegar a essa conclusão. Pobres diabos.
CDB : Ainda assim, sagrou-se Campeão Nacional…
FS : É verdade, e também contraí gonorreia. Passei bons tempos aí em Portugal.
CDB : Mas certamente não estaria à espera de realizar tão poucos jogos, tanto no Porto, como em Coimbra.
FS : É a vida. Também não estava à espera que ao aceitar um copo duma miúda na noite, fosse mais tarde acordar numa banheira, coberto de gelo. Mas acordei.
CDB : Roubaram-lhe um rim ?!? Isso explica a falta de exuberância física no tapete verde…
FS: Não, não…O rim ficou cá dentro. Pelos vistos a miúda só queria um autógrafo e violar-me. Ela pensava que eu era uma estrela de Bollywood. Quando pegou no B.I. e viu que eu era o Fatih Sonkaya, enfiou-me numa banheira e foi-se embora. Nem quis o meu rim. Nem sequer violar-me. (suspiro)
CDB : Vejo que o Fatih não teve uma vida fácil em Portugal, ao contrário dos seus adversários directos.FS : O que quer insinuar com isso?
CDB : Bem, o anafado amigo tem a noção que desde o momento da sua contratação (2005) que o Estado Português tem uma comissão de inquérito a trabalhar 24/7 para descortinar alguma característica que possa ter levado o FC Porto a considerá-lo um jogador de futebol. Aliás, um jogador de futebol passível de ser contratado por um clube profissional.
FS : Bem sei, e também estou a par que os gajos ganham cerca de 5 milenas/mês, e têm a reforma garantida por inteiro ao cabo de 2 anos de casa. Mais apartamento na baixa, carro e gasolina à pala até 2033. Comissões de inquérito rulam. A mim não me escapa nada.
CDB : A bola costumava escapar. E o adversário também.
FS: Sim, nunca fui grande coisa a jogar futebol. Mas a coleccionar cotão de umbigo? Oh meu amigo, aí ninguém pára o Sonkaya allez oh.
CDB : Cotão de umbigo?
FS : Sim. Sou muito bom nisso. Cheguei a ser federado quando era petiz, na Holanda. Mas os meus Pais nunca me apoiaram. “Ah, devias era seguir uma carreira na bola, tens nome de jogador, dois pulmões e um centro de gravidade estável…"
Sempre achei essa conversa uma grande treta, mas enfim. Era isso, ou voltar a vender pêlo do sovaco para fazer perucas…e a família precisava do graveto.
CDB: Mas então deixou de coleccionar cotão no umbigo?
FS: Não, não…sempre desenvolvi essa capacidade como um hobby, ou uma actividade paralela, se quiser. Mas é difícil de conciliar com o futebol. Se corremos muito, suamos, e o cotão vai por ali abaixo na enxurrada. É difícil atingir um nível de estabilidade de cotão que nos permita armazenar uma quantidade apreciável.
Por esse motivo costumava guardar o cotão numa caixinha no balneário…e depois dos jogos voltava a colocá-lo no sítio: no meu umbigo quentinho.

CDB : Ah, então ao contrário do que demonstrava na lateral-direita, o Sonkaya é um homem de muitos recursos.
FS: Bem, na teoria sim. Na prática, esta ideia não resultou por aí além, já que o Marek Cech ia amiúde ao meu cacifo e comia o cotão quando eu estava nos treinos.
CDB: Está a afirmar que o Cech comia o seu cotão de umbigo??
FS : Sim, isso e ameijoas. O gajo gostava de ameijoas.
CDB : Hm. Ficou orgulhoso por ter deixado escola em Portugal ? Pouco tempo após a sua saída, o FC Porto acabou por contratar outro lateral com as suas características: Nélson Benítez.
FS : Sim, é verdade. Vieram-me as lágrimas aos olhos. O homem era em tudo idêntico a mim, mas jogava na esquerda. Era como ver-me ao espelho:
O Nélson não tinha pés, tinha tijolos octogonais ligados aos tornozelos.
O Nélson não tinha físico de jogador profissional, parecia um miúdo de 14 anos com atrofia muscular e herpes facial.
O Nélson era mau cabeceador, defendia mal, atacava ainda pior e tinha a velocidade de um caracol coxo – e morto.
A pedra de toque foi quando o vi tirar um cruzamento pela primeira vez : era capaz de jurar que Maomé carpiu lágrimas de sangue e matou quinhentas virgens mal a bola lhe saiu do pé. Foi um momento horrífico. Mas gratificante.
Nesse preciso momento soube que o meu legado estava em boas mãos.
CDB/FB: (abraço fraterno, acompanhado de sentido choro de homem)
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segunda-feira, junho 28, 2010
Quintana e mais dez
Este poderia ser o epitáfio de uma carreira, cravado por um impiedoso cinzel na face de um triste e cinzento mausoléu futebolístico. Na verdade, até foi - porém metafóricamente.As palavras proferidas pelo então líder do Moreirense, Vítor Magalhães, embora comuns no contexto-cautchú, revelaram-se como uma perfeita resenha da carreira do paraguaio em Portugal. Aliás, se a vida do Victor desse um livro, seria daqueles resumos amarelos que o pessoal usava no secundário para não ter que passar pela tormenta de ler os Maias ou os Lusíadas por inteiro. Aqueles que tinham apenas meia dúzia de páginas com um par de tópicos.
Estimo desassombradamente que o livrito do Quintana teria uma solitária página apenas, com a deprimente frase do Magalhães pintada a tons dourados.
Abrir aspas, introduzir epitáfio, fechar aspas.
E assim se enterra uma carreira outrora promissora.
Porém, a demanda do Victor por solo Europeu não começou pelo dantesco vilarejo de Moreira de Cónegos, onde quer que isso seja.Ao invés, o combativo jugador aterrou no Sá Carneiro para representar um clube na ressaca de um histórico pentacampeonato e na antecâmara de uma não-menos-histórica conquista Europeia. Infelizmente para o paraguaio - e felizmente para o referido clube - a sua época de estreia acertou precisamente entre ambas as efemérides. Basicamente, o que o Quintana fez, foi o equivalente a ir aos vestiários de um concurso Miss Mundo, encontrar 110 modelos bêbedas e/ou drogadas, e só conseguir sair de lá de braço dado com um travesti anão e cego de um olho. Tough luck.
Na verdade, o próprio Victor era a versão futeboleira de um travesti anão e cego de um olho. No mínimo, era cego de ambos os pés e liliputiano em talento, mas a parte do travesti ainda está por ser provada, apesar daquele sexy sinal carnudo ligeiramente acima do lábio superior. Como uma ex-modelo: Cindy Crawford, nem mais.
Da passerelle ao relvado, relativamente às façanhas do jogador cuja alcunha ("O Animal") o descrevia na perfeição, não há muito a dizer. Caberiam na parte de trás de uma carteirinha de fósforos, juntamente com o total de golos que o Pavlin apontou com a camisola azul-e-branca e com os números de telemóvel das miúdas que o Esquerdinha sacava no Tomate e no Via Rápida às quintas-feiras à noite.Mas lá que o gajo puxava dumas melodias suculentas com a sua big trombone band, lá isso puxava.
sábado, junho 05, 2010
Vamos ao Quiosque
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sábado, maio 22, 2010
Les Misérables
Napoleão esteve por cá durante o século XIX e não guardou grandes recordações. Passaram-se longos anos sem episódios dignos de registo, até que, no Verão de 1990, voilá!, aterra no nosso país a grande promessa Stéphane Paille. No Porto, arrebitaram-se as sobrancelhas, o povo soltava oh-la-la’s de espanto, estava ali o melhor jogador do campeonato francês de 1989. Vlk, outra contratação desse ano que em condições normais mereceria todas as atenções pela sua estranha conjugação de consoantes, foi relegado para segundo plano: os olhos estavam todos em cima do bom do Paille. Mas assim que a bola começou a rolar, uma aura de desilusão assombrou o anfiteatro das Antas. Longe dos Campos Elísios, Paille não conseguia desenvolver todo o seu propalado potencial. Kostadinov exasperava perante mais um pontapé de Paille na atmosfera, questionando “Então, Stéphane? Que m***a foi essa, pá?”, num português tão explícito que toda a bancada percebeu que teria de ser Domingos a ter Paciência para aturar o génio difícil do búlgaro. Paille, apesar de francês, não se deu bem na terra das francesinhas. O treinador disse-lhe “je suis très désolé” e Paille esforçou-se por não contrariá-lo, nem sequer indo para o banco em algumas ocasiões. Passado um ano era devolvido à precedência e o FCP ainda não recuperou totalmente desse enorme trauma: só no novo século voltou a contratar um francês, o pouco ortodôntico Cissokho, e mesmo esse não se aguentou lá por muito tempo.
Mais a sul, também se quis descobrir o perfume gaulês nos anos 90. Mas os resultados não foram mais animadores. Foi uma época de revoluções, aquela que o Rei Artur, também ele um francófono, quis implementar no SLB em 1994. Já havia Nelo e Tavares com o papel da artilharia pesada no meio-campo, então faltava só alguém para acender o rastilho. E esse alguém era Jean-Jacques Eydelie, a quem Rei Artur, lânguido, soltou por entre o seu robusto bigode: “Voulez-vous jouer avec moi… ce soir?”. Eydelie, um exilado da estirpe de Bonaparte, era um cintilante mago da bola cujas trapaças da vida o enredaram para fora do seu país Natal. Regressou da sua ilha de Elba, enamorou-se pelo SLB como Tomasson e vestiu a camisola como Rushfeldt. Serviu-lhe e ele ficou. Porém, nas contas finais, nem um minuto para amostra. Jogou menos que Andrés Diaz. Repito: jogou menos que Andrés Diaz. Pronto, jogou tanto como Simanic. Ou como Abazaj. Mas isso nunca pode ser um bom termo de comparação. O fantasmagórico Eydelie rumou em busca do seu Waterloo mal a época findou, como parecia evidente. Só mais tarde revelaria que a sua permanente ausência dos relvados lusos fazia parte de uma promessa pessoal, consubstanciada num livro com um título deveras sugestivo. É pena, Eydelie tinha um cabelo muito frondoso e daria um excelente cromo, mas nem sequer apareceu para figurar nas nossas colecções. Fica aqui a nossa lembrança, ó Jean-Jacques.
Mais ao lado, demorou só um pouco mais para chegar o primeiro exemplar francês. Nome de guerra: Didier Lang. Não, não era tão langão como o Pedro Barbosa. Mas também ficámos sem saber bem como seria ao certo. O tipo tinha um certo aspecto francês, lá isso é verdade. Tinha cara de ter uns pais que possuíram orgulhosamente um Citroën boca-de-sapo e que ficava até tarde a ver repetições do Hinault na Volta a França. E até podia ser jogador de futebol, mas isso até o Vidigal era e não vinha de França. Concretamente, Lang foi o Ivo Damas antes do próprio Ivo Damas: tinha deslumbrado, no que provavelmente fora a noite da sua vida, num jogo em que o semi-anónimo Metz, ainda menos cotado que o Martini com o mesmo nome, despachara o SCP da UEFA. E como recompensa veio cá passar um ano tranquilo. O Damas só viria mais tarde no desenrolar da época e, como é óbvio, Lang perdeu o seu espaço. Lang conheceu Bruno Giménez e César Ramirez, trocou contactos de telefone com Saber, contou uma anedota ao Leão que este não percebeu e pisou uma vez um presente canino à entrada da porta 10-A, por estar distraído a ouvir Edith Piaf no seu walkman. E é tudo que se sabe. Tal era o estado do SCP nesse ano que até jogou bem mais do que o bom senso recomendaria.
Depois destes pioneiros, a torneira francesa começou a abrir-se mais um pouco. Com especial incidência para os gardiens de but: o eterno Palatsi, Yannick (que não Djaló), Debenest, Quievreux e Peiser. E tipos de sucesso, como o estóico Quevedo, senhor do lado esquerdo da defensiva, o típico nº5 que acabou por merecer um perfume com o seu nome, como pode ser visto acima. E tipos esquisitos, como Dyduch e Rabarivony. E tipos que eram humanos, sim senhor, como Agasson e Paviot. E Tixier, Desmarets e Kelly Berville. E o afrancesado dos Santos e o multimilionário Laurent Robert. E o acidentado Sinama-Pongolle, a escrever história neste momento. E aquele que merece toda a nossa simpatia, que é o Godemèche. Je vous aime et moi non plus. Merci beaucoup.
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domingo, maio 09, 2010
Um Secretário de Sonho
Este é o lado feminino. E o lado masculino?
Pois, o Secretário. Essa peça incompreendida de vários onzes, um defesa por vezes letal, especialmente para a sua própria equipa, aquele que acertou melhor com urina na cabeça do Nuno Luz do que nos cruzamentos para a área e que abria tanto o seu corredor como as bocas dos adeptos, tamanha a incredulidade. Perscrutando o seu currículo, também se pode dizer que Secretário tirou muita gente do sério: uma transferência para o Real Madrid (algo que levou os adeptos madridistas ao desespero e Beto à mais roída inveja), uma assistência para Acosta (que fez Chainho arrancar os cabelos que não tinha) e uma conversa mais que sensual com a Paula (que nunca deve ter recebido o que lhe era devido).
Secretária vs Secretário. Como seria a conjugação possível destes dois mundos? Eis uma hipótese visual:

quarta-feira, maio 05, 2010
Beto, Beto, Beto
O pessoal de Lisboa corrige e diz que só o pessoal da linha de Cascais é que é beto.
O pessoal de Cascais, por seu turno, não tem outra opção senão sentir-se confortável com o seu modus vivendi ou então desabafar as maiores alarvidades ao volante do seu automóvel de elevada cilindrada enquanto está encalhado em mais engarrafamento na A5.
O nosso ponto: Betos há muitos. Com idiossincrasias muito acentuadas, como exemplificaremos.
Este Beto é do mais pungente que pode haver. Afinal, jogou num clube de betos. Foi o capitão deles, o mais beto dos betos. Teve cabelo de beto. Tem cara de beto, e logo daqueles que dá na ganza. Aposto que já usou sapatos de vela, pólos Burberry e camisas Sacoor Brothers, daquelas azuis com o rato nas costas e colarinhos brancos. Deve tratar os sobrinhos por você. Quase de certeza que organizou um jantar de beneficência ao Krpan porque pensava que ele seria um sem-abrigo. Joga, ou vai jogando, no clube que está ali entre as vivendas do Restelo e o concelho de Oeiras – portanto, clube geograficamente mais próximo do burgo central da betalhada só mesmo o Estoril (com jeitinho, ainda lá vai parar). Casou com uma mulher tão saliente quanto impregnada de silicone.E porquê? Porque jogava bem à bola? Talvez. Por ser beto? Quiçá. Por ser o Beto? Ora aí está: a ambição de qualquer mulher com visão de futuro é contrair matrimónio com um futuro Real Madrid. Infelizmente, há especulações que nunca se concretizam materialmente. E então lá se vai o matrimónio e lá vêm as festas em catadupa.
O pesadelo do beto é ser forçado a andar de transporte público, juntamente com a gente das obras; o pesadelo deste Beto, porém, foi um camião chamado Custódio e um polícia chamado Paulo Bento. E aí a sua betice começou a ser posta em causa. Para nunca mais recuperar.
Num plano intermédio, temos este Beto. Que também começou no mesmo clube associado à betice. E não é só por causa disso que o seu nome artístico não é Pimparel. É que Pimparel ultrapassa o limite do razoável, reconheçamos. É um nome que faz o Pittbull parecer ter um nome de pessoa inteligente.Este Beto, em rigor, não era muito beto. Era um gajo vaidoso, quanto muito, mas nunca deve ter tido um free-pass para entrar Kapital. Depois enrijeceu a barba junto dos pescadores de Leixões. Tanto voou, tanto espalhafato deu, que foi parar ao clube dos que se dizem anti-betos por excelência – aqueles que dizem que comem três sopas de cavalo cansado ao pequeno-almoço, mais uma frutinha e um telefonema a um agente desportivo na penumbra para ganhar jogos que não interessam para nada.
Lógico era que mudasse de nome. Se "beto" está demasiado colado a Lisboa, "bimbo" está colado ao Porto. Ora aí está, vamos chamar-te Bimbo e fazer-te um novo baptizado para este teu renascimento competitivo. Porque Pimparel, mesmo que fosse válido por estar no BI, estava completamente fora de hipótese. Mas por causa de direitos de marca e pressão da Panrico, Bimbo também foi uma hipótese que não saiu do papel. Envolvido nestas improfícuas discussões filosóficas, Beto deu um excelente aquecedor de banco, sendo inclusivamente seleccionado por causa desse mérito indiscutível das suas nádegas. E mesmo em certas ocasiões, quando se previa que saltasse do banco, deu-se primazia às luvas do Espírito Santo, enregeladas e extremamente sebosas, até na tepidez algarvia.
No fundo desta dinastia de betos, temos o não-beto. Um Beto acidental. Quer dizer, olhamos para a figura deste médio e para os clubes onde passou e dizemos logo que quem lhe deu a alcunha não estava a ver bem o filme. Até porque possuía Galdino no nome. Isto é a antítese do beto, o que o yin está para o yang.Os verdadeiros betos nunca lhe perdoaram esta usurpação do nome. Se este Beto por acaso entrasse com um chapéu de viking numa praça de touros, o local para onde confluem imensas manadas de betos aos urros de “eh!, touro!”, todos iriam repugnar-se de tal forma (“Meu Deus, que horror! Aquilo tem mesmo ar de pobre!”) que ainda iriam pensar que estava ali um touro bípede.
Um bom livre no Paços, um bom golo no Beira-Mar e pronto, uma inesperada passagem para o clube com maior percentagem de adeptos desdentados de Lisboa. Sim, Lisboa é paradoxal: mesmo em frente a um dos grandes centros de opulência encontra-se o grande santuário da xungaria. E apesar do seu peculiar aspecto, chamava-se Beto e um beto no meio dos taxistas e dos garrafões não podia acabar bem.
As contradições não cessavam. Um futebol bruto digno de Fernando Aguiar mas com uma suave oxigenação capilar digna de Ruth Marlene. Um portentoso engano contra o Manchester United e sucessivas confirmações de desastre contra as equipas do campeonato português. Os adeptos estavam confusos.
Solução: apagá-lo rapidamente da nossa memória, lavar o nosso cérebro para acreditar que ele nunca aqui esteve. Este Beto, hoje em dia, é já um X-File classificado e nem o Mulder parece muito convicto da sua existência.
Agora está na Grécia. A Grécia em crise profunda, onde apenas o engenheiro do penta prospera. Esperamos que se esteja a dar bem. Porque ele, lá no fundo, merece ser feliz como os verdadeiros betos que têm as fortunas da família a sustentá-los.
O pessoal depois vinga-se nos comentários. “Eh pá, ó Rodrigues, eu até gosto da vossa SAD, mas de vez em quando vocês são um bocado parvos”. “Eh pá, ó Rodrigues, e para quando um post sobre o Paulo Vida”? “Eh pá, ó Rodrigues, isso é só má fé, não tens tomates para dizer o que escreves à frente dos gajos”. Por falar em tomates:

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domingo, abril 04, 2010
FC Porto 8 - Valonguense 0
Estádio das Antas
Valonguense...
acho que vão perceber porque razão figuram neste blog os jogadores do Valonguense. Chamo a especial atenção para o GR suplente, ERNESTO. ERNESTO.
A voz inconfundível de Costa Monteiro é também uma relíquia assinalável.
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segunda-feira, março 08, 2010
O Pequeno Quim
A rede balançava, ele dançava, o público jubilava, e Deus – algures – exultava.
Vivaça era a vida do Pequeno Quim, grande no porte, insurrecto petiz de alma, sangue ardente no esculpido corpo, seu instrumento de trabalho. O Pequeno Quim era assim: exuberante como uma multicolorida borboleta, crisálida de eleição, e potente como um furioso touro, acicatado pelo vermelho-chama do fogo que lhe alimentava o Ser: o golo.
Incompreendido pelo estimado mentor (“one touch, two touch, quimmzin-ho goal”), o flamejante aríete do continente negro procurava refúgio nas bancadas, onde era amado como nenhum outro, em pleno auge feudal de D.Mário Jardel, o Primeiro. O Mantorras antes do Mantorras, este sim, a alegria do Povo, com dois joelhos e tudo – pois sem eles não conseguiria bailar Kuduro. Endiabrado, o Pequeno Quim.
Futebol-esquadro? Coisa para operários com bota quadrada, mais Alfaias que Nandos, menos Constantinos que Caos. Geometria sempre foi coisa para maricas. Futebol é Paixão, Calcio não é Catenaccio e Prof. Neca não é senão um calvo Darth Vader, enviado da Estrela da Morte para nos sugar o prazer da sumarenta clementina do beautiful game. O Pequeno Quim não nascera para traçar rectas a esquadro – o Pequeno Quim era o anti-Custódio, antes gingar que quebrar, nascera para emocionar, negra pantera de tardes gloriosas com o azul Dragão ao peito.
Porém, sempre apaixonado pela polémica, o Bigode de António Oliveira decidiu não ouvir os apelos da bancada. A central pedia Quim, a superior pedia Quim, até o tribunal por Quim clamava. Mas a única emoção a Quim ofertada, foi a da despedida. Uma dura, amarga despedida.
Já que o Pequeno Quim se assemelhava a uma locomotiva desgovernada nos trilhos do tapete verde, lá decidiu fazer da fama proveito e transformar a sua carreira numa espécie de percurso de Intercidades que pára em tudo o que é apeadeiro sem pedir licença.
Assim, fica a recordação da trajectória CP-style, com atrasos, croquetes a bordo, crianças a chorar, e claro – golos a brotar do ar condicionado desta carruagem em alta rotação: Leiria, Vila do Conde, Faro, Vila das Aves, Alverca e Estoril. All aboard, the Quim Train.
Sob a asa de um génio indomável, a locomotiva atravessou Oceanos, atropelando Peixes e engolindo Figos, chegando assim à China, continente sem Brunos ou Coentrões de cabelo pejado de parafina.
Qiao Ji Ma, nova identidade do petiz vagão ferroviário, corcel indomável no continente amarelo de carroça puxada a arroz. “What’s in a name? A rose by any other name would smell as sweet”, já dizia Mark Pembridge. Qiao Ji Ma concordava, acenando afirmativamente com o seu potente crânio. O título pode ser outro, mas o texto conhecia semelhante epílogo: golo, golo e mais golo. Ou Kwame Ayew – é assim que se diz golo em chinês…ou pelo menos foi o que o Duah nos contou.
De qualquer forma, após menear as ancas pelas bandeirolas de canto um pouco por toda a Ásia, Qiao Ji Mu decidiu regressar ao País que o viu nascer – o País que deu nome a Zé D’Angola, curiosamente um orgulhoso cabo-verdiano. Ou se calhar não será assim tão orgulhoso, mas cabo-verdiano é de certeza. E o Pequeno Quim - esse - é de novo Pequeno Quim: irreverente, poderoso, calvo, e apostado em tratar a bandeirola de canto como Axl Rose tratava um microfone, pois com Pequeno Quim, o rock n roll nunca morrerá.
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